
A trajetória de Lula reúne episódios que ajudam a compreender a história política brasileira das últimas décadas. De uma infância humilde em Pernambuco ao movimento sindical no ABC Paulista, passando por derrotas eleitorais, dois primeiros mandatos presidenciais, investigações judiciais e um retorno à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva construiu uma carreira marcada por conquistas, disputas e controvérsias.
Em 2026, Lula foi reeleito presidente da República pela quarta vez em uma eleição presidencial, após já ter vencido as disputas de 2002, 2006 e 2022. O resultado oficial do segundo turno foi anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 25 de outubro de 2026.
Tribunal Superior Eleitoral
Mas como um trabalhador do setor metalúrgico chegou ao cargo político mais importante do país? Quais foram os momentos decisivos de sua carreira e como suas decisões influenciaram o Brasil?
Neste artigo, você vai conhecer os principais acontecimentos da vida de Lula, desde sua infância até a eleição de 2026, em uma retrospectiva organizada para consulta e leitura ao longo do tempo.
Quem é Lula e como começou sua história?



Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco. Ainda criança, mudou-se com a família para o estado de São Paulo, em um contexto de dificuldades econômicas e de busca por melhores oportunidades de trabalho.
Durante a juventude, Lula começou a trabalhar e se formou como torneiro mecânico. Sua experiência no ambiente industrial teve papel fundamental na aproximação com outros trabalhadores e na construção de sua identidade política.
A realidade das fábricas, as condições de trabalho e as reivindicações dos metalúrgicos contribuíram para que ele se envolvesse cada vez mais com a organização sindical.
Essa etapa foi importante para a trajetória de Lula porque o contato direto com os trabalhadores ajudou a construir a imagem pública que, anos depois, se tornaria uma de suas principais marcas políticas.
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A liderança sindical e as greves do ABC Paulista
A atuação sindical foi uma das etapas mais importantes da formação política de Lula. Na década de 1970, ele ganhou projeção como dirigente dos metalúrgicos do ABC Paulista, região industrial que inclui municípios como São Bernardo do Campo e Santo André.
Naquele período, o Brasil vivia sob a ditadura militar. As mobilizações de trabalhadores reivindicavam melhores salários, condições de trabalho e maior espaço para a organização sindical.
As grandes greves metalúrgicas do fim da década de 1970 e do início dos anos 1980 ampliaram a visibilidade de Lula no cenário nacional. Sua capacidade de mobilização fez com que ele passasse a ser reconhecido para além do ambiente sindical.
A experiência também o aproximou de outros movimentos sociais e lideranças que defendiam mudanças políticas no país. Assim, o sindicalismo se transformou na principal ponte entre sua vida profissional e a disputa por cargos públicos.
A fundação do Partido dos Trabalhadores e a entrada na política
Em 1980, Lula participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), criado com a participação de sindicalistas, integrantes de movimentos sociais, intelectuais e outros grupos políticos.
A criação do partido representou uma nova etapa na política brasileira. A proposta era construir uma organização partidária ligada às reivindicações dos trabalhadores e a diferentes movimentos sociais.
Lula também participou da mobilização pelas Diretas Já, movimento que defendia eleições diretas para a Presidência da República durante o processo de redemocratização.
Em 1986, foi eleito deputado federal constituinte por São Paulo. No Congresso, participou dos trabalhos que resultaram na Constituição Federal de 1988, documento que estabeleceu as bases institucionais da atual democracia brasileira.
A passagem do sindicalismo para a política partidária deu a Lula uma estrutura nacional de apoio e preparou o caminho para suas primeiras candidaturas à Presidência.
As primeiras candidaturas de Lula à Presidência
A primeira candidatura de Lula à Presidência ocorreu em 1989, na primeira eleição presidencial direta após o período da ditadura militar. A disputa foi para o segundo turno, no qual Lula enfrentou Fernando Collor de Mello e acabou derrotado.
A campanha consolidou Lula como uma das principais lideranças da oposição brasileira, mas também revelou os desafios de ampliar seu apoio para além de sua base política tradicional.
Em 1994 e 1998, Lula voltou a disputar a Presidência, enfrentando Fernando Henrique Cardoso nas duas eleições. Foi derrotado em ambas, enquanto o debate econômico e a estabilização da moeda tiveram grande peso no cenário político.
Essas derrotas não encerraram sua carreira. Pelo contrário, as campanhas contribuíram para a reorganização política e para a construção de alianças que seriam importantes na eleição seguinte.
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O segundo volume aborda o período que vai dos anos finais da ditadura militar até a vitória presidencial de 2002, incluindo as Diretas Já e as disputas eleitorais anteriores.
Grupo Companhia das Letras
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A vitória de 2002: Lula chega à Presidência
A eleição de 2002 representou uma virada decisiva na trajetória de Lula. Depois de três derrotas presidenciais, ele venceu a disputa e assumiu a Presidência da República em janeiro de 2003.
A campanha contou com uma ampliação de alianças políticas e com o compromisso de promover mudanças sociais sem provocar instabilidade econômica. O resultado também refletiu o desejo de parte do eleitorado por uma nova orientação para o governo federal.
Durante o primeiro mandato, o governo deu continuidade a políticas de estabilidade econômica e ampliou programas sociais. O Bolsa Família tornou-se um dos principais símbolos dessa fase, reunindo iniciativas de transferência de renda destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade.
A economia, o mercado de trabalho, o consumo e a inclusão social passaram a ocupar espaço central no debate sobre os resultados do governo.
Ao mesmo tempo, a gestão enfrentou controvérsias políticas, entre elas o escândalo conhecido como mensalão, que provocou uma crise e atingiu integrantes da base governista.
A reeleição de 2006 e o segundo mandato
Em 2006, Lula foi reeleito presidente. O segundo mandato, entre 2007 e 2010, foi marcado pela continuidade de programas sociais e por investimentos em infraestrutura, incluindo iniciativas associadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O período também ficou associado à expansão do crédito e do consumo e ao crescimento econômico registrado em parte daqueles anos. No entanto, os resultados variaram conforme o setor, e os efeitos das políticas públicas foram objeto de diferentes avaliações.
A crise financeira internacional de 2008 também representou um desafio. O governo adotou medidas para tentar sustentar a atividade econômica e o mercado interno.
Ao final do segundo mandato, Lula deixou a Presidência em janeiro de 2011, com índices elevados de aprovação em pesquisas daquele período. Sua sucessora foi Dilma Rousseff, também do PT, eleita presidente em 2010.
A saída do cargo não significou o fim de sua influência. Lula continuou sendo uma figura importante no partido e no debate político nacional.
As investigações judiciais e um período de incerteza política
Anos depois de deixar a Presidência, Lula passou a enfrentar processos judiciais relacionados a investigações de corrupção



Anos depois de deixar a Presidência, Lula passou a enfrentar processos judiciais relacionados a investigações de corrupção. O caso teve repercussões nacionais e internacionais e se tornou um dos assuntos centrais da política brasileira.
Em 2018, Lula foi preso após condenação em um dos processos. A situação impediu sua participação na eleição presidencial daquele ano, vencida por Jair Bolsonaro.
Em 2019, Lula foi solto após uma mudança no entendimento jurídico sobre a execução da pena antes do esgotamento dos recursos. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou condenações específicas, em decisões relacionadas à competência do juízo responsável pelos processos e à parcialidade do então juiz Sergio Moro em um dos casos.
É importante distinguir a anulação de condenações de uma declaração geral sobre todos os fatos investigados. As decisões judiciais tiveram fundamentos específicos e mudaram a situação jurídica de Lula, permitindo que voltasse a disputar eleições.
O período marcou uma das fases mais controversas de sua trajetória e aprofundou a polarização política no Brasil.
A eleição de 2022 e o retorno à Presidência
Em 2022, Lula disputou a Presidência contra Jair Bolsonaro. A eleição foi marcada por uma campanha polarizada, debates sobre economia, políticas sociais, meio ambiente e o futuro das instituições democráticas.
Lula venceu o segundo turno e assumiu seu terceiro mandato em 1º de janeiro de 2023. O retorno à Presidência ocorreu em um contexto de desafios econômicos e sociais, além de forte divisão política no país.
Entre os temas centrais de seu governo estiveram a retomada e reorganização de políticas sociais, a discussão sobre a reforma tributária, as contas públicas, o meio ambiente e as relações internacionais.
A gestão também enfrentou críticas e disputas sobre o ritmo do crescimento econômico, o equilíbrio fiscal, os gastos públicos e a capacidade de articulação com o Congresso Nacional.
Como ocorre em outros governos, os resultados e as prioridades da administração foram avaliados de formas distintas por apoiadores, opositores, economistas e diferentes setores da sociedade.
A eleição de 2026 e o quarto mandato presidencial

A eleição de 2026 acrescentou um novo capítulo à trajetória de Lula. No segundo turno, o presidente disputou a reeleição contra Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL).
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos, ou 48,21%. O resultado foi anunciado em 25 de outubro de 2026.
Tribunal Superior Eleitoral
A vitória garantiu a Lula um quarto mandato presidencial conquistado por eleição, considerando as vitórias de 2002, 2006, 2022 e 2026. O novo mandato começa em janeiro de 2027 e se estende até 2030.
A eleição demonstra a continuidade de sua relevância política, mas também ocorre em um país com diferenças profundas sobre economia, políticas sociais, segurança pública, gestão fiscal e o papel do Estado.
Os desafios do próximo governo incluem responder às expectativas dos eleitores, negociar com o Congresso, administrar as contas públicas e lidar com as demandas sociais e econômicas de um país de dimensões continentais.
O que a trajetória de Lula revela sobre a política brasileira?
A história de Lula ajuda a compreender transformações importantes na política brasileira desde a redemocratização. Sua passagem do movimento sindical para a Presidência mostra como lideranças formadas fora dos grupos políticos tradicionais podem construir apoio nacional e disputar o poder.
Sua carreira também demonstra que derrotas eleitorais não necessariamente encerram uma trajetória política. As campanhas de 1989, 1994 e 1998 antecederam a vitória de 2002, enquanto os acontecimentos judiciais e políticos posteriores foram seguidos por seu retorno à disputa presidencial.
Ao avaliar seus governos, é importante considerar diferentes dimensões: indicadores econômicos, políticas sociais, decisões institucionais, controvérsias, investigações e efeitos das medidas adotadas. Uma análise histórica equilibrada não precisa ignorar conquistas nem deixar de examinar críticas e problemas.
A trajetória de Lula continua sendo tema de debate porque está ligada a questões que permanecem relevantes para o Brasil: desigualdade social, crescimento econômico, papel do Estado, representação política e funcionamento das instituições democráticas.
Conclusão: uma trajetória que atravessa décadas
Da infância em Pernambuco ao quarto mandato presidencial conquistado nas urnas, a trajetória de Lula atravessou mudanças profundas na sociedade e na política brasileira. Sua história inclui mobilização sindical, fundação partidária, derrotas eleitorais, dois primeiros mandatos, crises políticas, processos judiciais, retorno à Presidência e uma nova vitória eleitoral em 2026.
Independentemente da avaliação de cada leitor sobre suas decisões, conhecer essa trajetória permite compreender melhor acontecimentos que marcaram o país e os debates que continuam influenciando seu futuro.
A história política de Lula segue em desenvolvimento. O desempenho do próximo governo, que começa em 2027, será acompanhado por eleitores, instituições, especialistas e diferentes setores da sociedade.
E você, como avalia a trajetória política de Lula? Quais acontecimentos considera mais importantes para entender a história recente do Brasil? Deixe sua opinião nos comentários, sempre com respeito às diferentes posições.
Fontes e créditos
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE): resultado da eleição de 2026 e balanço do segundo turno.
- Presidência da República: biografia de Luiz Inácio Lula da Silva.
- Companhia das Letras: Lula, volume 1 — Fernando Morais.
- Companhia das Letras: Lula, volume 2 — Fernando Morais.
- Site oficial




